Canetas Emagrecedoras

Apreensão de canetas emagrecedoras dispara no Brasil com contrabando vindo do Paraguai

Apreensões de canetas emagrecedoras e substâncias relacionadas cresceram no Brasil em 2026; rota pelo Paraguai preocupa autoridades e acende alerta sobre riscos à saúde.

Por · · Atualizado: 13/08/2026 14:24
Apreensões de canetas emagrecedoras cresceram no Brasil — Foto: Reprodução

A apreensão de canetas emagrecedoras e substâncias usadas em medicamentos para perda de peso cresceu de forma expressiva no Brasil. Dados da Polícia Federal obtidos pelo O Globo por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que, nos cinco primeiros meses de 2026, os registros de apreensão já superam com folga o total do ano anterior.

O avanço ocorre em meio ao aumento da procura por medicamentos à base de GLP-1, grupo associado a produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. A alta demanda e o preço elevado desses tratamentos têm impulsionado um mercado irregular de importação, falsificação e venda clandestina.

Um dos casos citados ocorreu em abril, no Paraná. Após perseguição na rodovia PR-445, perto de Cambé, a polícia interceptou um veículo com uma carga clandestina avaliada em R$ 2 milhões pela Receita Federal. No carro, além de celulares, notebooks e anabolizantes, foram encontradas cerca de 7 mil ampolas de tirzepatida, princípio ativo usado em medicamentos para emagrecimento.

Segundo o processo, o motorista teria admitido que receberia R$ 5 mil para transportar a carga de Medianeira, cidade paranaense próxima à fronteira com o Paraguai, até São Paulo.

Os números mostram a velocidade do crescimento desse tipo de apreensão. Em 2024, foram 9 ocorrências. Em 2025, o total subiu para 335. Em 2026, até o período analisado, já eram 758 registros. Considerando o intervalo comparável de janeiro a meados de junho, o salto foi de 37 para 758 casos em um ano.

A rota de entrada aponta principalmente para a fronteira com o Paraguai. O Paraná concentra 37% das ocorrências e mais da metade do volume total apreendido. Somado ao Mato Grosso do Sul, o eixo de fronteira responde por quase metade dos casos e por cerca de 60% das unidades retidas.

As autoridades também identificam o uso de transporte aéreo, remessas postais internacionais e estratégias de fracionamento de cargas para tentar driblar a fiscalização. Em alguns casos, os produtos são ocultados em veículos ou transportados por diferentes pessoas em pequenas quantidades.

Em abril, a Polícia Federal, com apoio da Anvisa, realizou uma operação para combater a entrada irregular, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal de canetas emagrecedoras. Foram cumpridos 45 mandados de busca e ações de fiscalização em 12 estados.

Entre 2024 e meados de 2026, cerca de 175 mil unidades foram apreendidas. O total inclui canetas, ampolas, frascos e outros recipientes ligados a substâncias usadas em tratamentos para perda de peso.

O crescimento do mercado irregular também preocupa pela possibilidade de efeitos adversos. Dados da Anvisa mostram aumento nas notificações relacionadas ao uso de canetas emagrecedoras: foram 257 registros em 2023, 449 em 2024 e 1.122 em 2025.

A agência, porém, afirma que os dados são declaratórios e não permitem separar com precisão casos ligados a medicamentos legais, manipulados ou obtidos por vias ilegais.

Especialistas alertam que o uso de medicamentos contrabandeados representa risco adicional porque costuma ocorrer sem acompanhamento médico. Além da origem duvidosa, há perigo de dosagem incorreta, armazenamento inadequado, falsificação e ausência de controle sanitário.

A Anvisa classifica esses medicamentos como sujeitos à retenção de receita médica e reforça que o acompanhamento profissional é essencial, já que existem contraindicações e riscos para pessoas com determinadas condições de saúde.

Fonte: O Globo.

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