O asteroide Bennu voltou a chamar atenção nas redes sociais após publicações afirmarem que o objeto espacial teria uma data marcada para atingir a Terra e poderia provocar uma explosão comparada à de dezenas de bombas nucleares.
Apesar do tom alarmante, não existe uma colisão confirmada. O dia 24 de setembro de 2182 é apenas a data identificada pelos cientistas como aquela em que Bennu apresenta a maior probabilidade individual de impacto com o planeta.
Segundo cálculos divulgados pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, a possibilidade de uma colisão nessa data é de aproximadamente 1 em 2.700, equivalente a 0,037%. Isso significa que existe uma probabilidade de cerca de 99,963% de o asteroide não atingir a Terra naquele dia.
Bennu não tem impacto confirmado com a Terra
A NASA utiliza informações coletadas pela missão OSIRIS-REx, além de observações feitas por telescópios e radares, para acompanhar com precisão a trajetória do asteroide.
Considerando todos os possíveis encontros até o ano de 2300, a probabilidade acumulada de impacto é estimada em aproximadamente 1 em 1.750, ou 0,057%. Mesmo sendo classificado como um asteroide potencialmente perigoso, o risco continua considerado muito baixo pelos especialistas.
Bennu possui aproximadamente 500 metros de diâmetro, dimensão comparável à altura de um grande arranha-céu. O objeto foi descoberto em 1999 e tornou-se um dos asteroides mais estudados pela comunidade científica.
O que acontecerá em 2135
Antes da data de 2182, Bennu fará uma aproximação importante da Terra em 2135. A NASA afirma que o asteroide não representará perigo naquele momento.
Entretanto, a gravidade terrestre poderá alterar ligeiramente sua trajetória ao redor do Sol. Essa mudança será determinante para calcular como Bennu se comportará nas décadas seguintes e se poderá passar por uma região do espaço conhecida como “fechadura gravitacional”.
Caso atravesse uma dessas pequenas áreas, a gravidade da Terra poderá colocá-lo em uma trajetória compatível com uma colisão futura. Os cálculos atuais, porém, mostram que essa possibilidade é remota.
Impacto poderia alterar o clima do planeta
Embora a colisão seja improvável, cientistas estudam os possíveis efeitos de um impacto envolvendo um objeto do tamanho de Bennu.
Uma pesquisa publicada em 2025 na revista científica Science Advances simulou a colisão de um asteroide com cerca de 500 metros. Os modelos indicaram que entre 100 milhões e 400 milhões de toneladas de poeira poderiam ser lançadas na atmosfera.
No cenário mais intenso, a poeira bloquearia parcialmente a luz solar e poderia provocar:
- redução de até 4 °C na temperatura média da superfície;
- queda de aproximadamente 15% no volume médio global de chuvas;
- redução significativa da camada de ozônio;
- prejuízos à agricultura e à produção de alimentos;
- alterações climáticas e ambientais durante três ou quatro anos.
Os pesquisadores também estimaram uma queda inicial de 20% a 30% na fotossíntese dos ecossistemas terrestres e marinhos. Os resultados representam simulações científicas de um cenário hipotético, e não uma previsão de que a colisão acontecerá.
Comparação com bombas nucleares exige cautela
A afirmação de que Bennu teria o “poder de 22 bombas nucleares” deve ser interpretada com cuidado. Bombas nucleares podem apresentar potências muito diferentes, tornando esse tipo de comparação impreciso.
Além disso, o impacto de um asteroide não funciona exatamente como a detonação de uma arma nuclear. A região atingida, a velocidade, o ângulo de entrada, a composição do objeto e a possibilidade de colisão no oceano ou em terra modificariam consideravelmente os efeitos.
NASA continuará acompanhando Bennu
A missão OSIRIS-REx permaneceu próxima de Bennu por mais de dois anos e coletou amostras de sua superfície. O material foi entregue à Terra em setembro de 2023 e continua sendo analisado por pesquisadores.
Essas informações ajudam a compreender a composição do asteroide e permitem aperfeiçoar os cálculos sobre sua trajetória futura.
Portanto, Bennu merece acompanhamento científico, mas não representa uma ameaça imediata. A data de 24 de setembro de 2182 não é o dia confirmado de uma colisão, e sim o ponto de maior risco dentro das projeções realizadas atualmente pela NASA.
Fontes: Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, missão OSIRIS-REx, revista Science Advances e Centro de Física Climática do Instituto de Ciências Básicas da Coreia do Sul.