ASTRONOMIA

Betelgeuse não está sozinha: estrela escondida pode mudar cálculos sobre futura explosão

Astrônomos obtiveram a imagem mais clara até agora de uma provável estrela companheira orbitando Betelgeuse, uma das estrelas mais conhecidas do céu. A descoberta pode ajudar os cientistas a entender a evolução da supergigante vermelha e o que acontecerá antes de sua futura explosão como supernova.

· Atualizado: 30/07/2026 21:31
Betelgeuse é uma das estrelas mais brilhantes e estudadas do céu.

Após cerca de um século de buscas, astrônomos encontraram fortes evidências de que Betelgeuse não está sozinha. Uma estrela menor e muito menos brilhante parece acompanhar a famosa supergigante vermelha localizada na constelação de Órion.

A provável companheira, chamada provisoriamente de Betelgeuse B, foi registrada com o Very Large Telescope, o VLT, instalado no deserto do Atacama, no Chile. Os pesquisadores utilizaram o instrumento SPHERE, desenvolvido para produzir imagens de objetos pouco luminosos próximos de estrelas muito brilhantes.

As observações foram realizadas em dezembro de 2024, período em que a estrela menor estaria mais afastada de Betelgeuse quando vista da Terra. Depois de vários meses de processamento e análise das imagens, a equipe conseguiu identificar o objeto com um nível elevado de confiança.

O estudo estima que Betelgeuse B tenha entre 2,6 e 3,1 vezes a massa do Sol. Apesar de ser maior e mais luminosa que a nossa estrela, ela praticamente desaparece no brilho de Betelgeuse, que emite aproximadamente 100 mil vezes mais luz que o Sol.

Estrela gigante pode esconder novos segredos

Betelgeuse é uma supergigante vermelha com massa estimada entre 16,5 e 19 vezes a do Sol. Seu tamanho também impressiona: caso ocupasse a posição do Sol, sua superfície ultrapassaria a órbita de Júpiter.

O sistema está localizado a uma distância estimada entre 500 e 600 anos-luz da Terra. A separação observada entre as duas estrelas corresponde a aproximadamente 8,8 vezes a distância entre a Terra e o Sol, uma medida semelhante à região da órbita de Saturno.

Os cálculos indicam que a possível companheira leva cerca de seis anos para completar uma volta ao redor de Betelgeuse. Essa órbita pode estar relacionada às mudanças de brilho de longo prazo observadas na supergigante.

Embora a imagem represente a evidência mais forte já obtida, os próprios pesquisadores mantêm cautela. Novas observações serão necessárias para demonstrar definitivamente que Betelgeuse B está gravitacionalmente ligada à estrela principal e não é apenas um objeto localizado na mesma direção no céu.

Descoberta pode afetar previsão da supernova

Betelgeuse está em uma fase avançada de sua evolução e, no futuro, deverá explodir como uma supernova. No entanto, os astrônomos ainda não conseguem determinar exatamente quando isso ocorrerá.

A presença de uma estrela companheira acrescenta uma nova variável aos cálculos. A interação entre os dois objetos pode influenciar a perda de material, a rotação e a evolução da supergigante, acelerando ou retardando algumas etapas anteriores à explosão.

Isso não significa que a supernova esteja prestes a acontecer. O novo estudo não estabelece uma data para a explosão, mas mostra que os modelos utilizados anteriormente poderão precisar considerar a influência da companheira.

Betelgeuse ganhou grande atenção entre 2019 e 2020, quando perdeu parte significativa de seu brilho. Na ocasião, surgiram especulações de que a estrela poderia estar próxima de explodir. Estudos posteriores mostraram que a redução de luminosidade foi provocada principalmente por uma nuvem de poeira que bloqueou temporariamente parte da luz.

A descoberta foi publicada na revista científica Astronomy & Astrophysics e deverá orientar novas observações de Betelgeuse e de outras estrelas gigantes que apresentam alterações periódicas de brilho.

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