O uso das chamadas canetas emagrecedoras aumentou no Brasil, mas especialistas alertam que o medicamento não deve ser tratado como uma solução isolada ou utilizado sem orientação profissional. Erros na dosagem, na aplicação e na condução do tratamento podem reduzir os resultados e elevar o risco de reações adversas.
Esses medicamentos incluem substâncias como semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Dependendo do produto e de sua indicação aprovada, podem ser utilizados no tratamento do diabetes, da obesidade ou do sobrepeso associado a outros problemas de saúde. A Anvisa orienta que o uso seja feito exclusivamente conforme a bula e sob acompanhamento de profissional habilitado.
Principais erros durante o tratamento
Entre as falhas mais frequentes está iniciar o uso sem avaliação médica. A automedicação pode levar à escolha inadequada do medicamento, da dose ou do período de tratamento, além de dificultar a identificação de contraindicações.
Outro erro é aumentar ou reduzir a dose por conta própria na tentativa de acelerar o emagrecimento ou diminuir efeitos colaterais. Alterações desse tipo devem ser feitas somente pelo profissional responsável pelo acompanhamento.
Os principais erros apontados são:
- usar o medicamento sem prescrição e acompanhamento médico;
- comprar produtos de origem desconhecida ou sem registro;
- alterar a dose ou o intervalo entre as aplicações;
- esperar perda de peso imediata;
- abandonar a alimentação equilibrada;
- permanecer sedentário durante o tratamento;
- avaliar a evolução apenas pelo peso da balança;
- interromper o medicamento sem orientação;
- armazenar ou aplicar a caneta de forma incorreta;
- ignorar efeitos colaterais ou sintomas persistentes.
A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, já recebeu relatos de erros de dosagem envolvendo produtos manipulados de semaglutida. Em alguns casos, pacientes aplicaram quantidades muito superiores às prescritas e precisaram de atendimento médico ou hospitalização.
Medicamento não substitui hábitos saudáveis
As canetas podem ajudar no controle do apetite e da saciedade, mas os resultados também dependem da alimentação, da prática de atividade física e do acompanhamento regular.
Manter uma dieta desequilibrada ou não realizar exercícios pode dificultar a perda de peso e contribuir para a redução de massa muscular. Por isso, o tratamento costuma envolver uma equipe formada por médico, nutricionista e, conforme a necessidade, outros profissionais.
Também é importante não observar somente o número mostrado pela balança. Alterações na composição corporal, na circunferência abdominal, nos exames e nas condições associadas à obesidade devem ser consideradas durante a avaliação.
Efeitos colaterais exigem atenção
Náuseas, vômitos, desconforto abdominal e alterações intestinais estão entre os efeitos que podem ocorrer durante o uso. Sintomas intensos, persistentes ou diferentes do habitual precisam ser comunicados ao profissional responsável.
Em fevereiro de 2026, a Anvisa reforçou o alerta para o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido de medicamentos agonistas de GLP-1. Dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas ou vômitos, exige atendimento médico imediato.
A agência também ampliou a fiscalização sobre importadores, farmácias de manipulação e clínicas após identificar problemas relacionados à origem dos insumos, à esterilização e ao controle de qualidade de produtos manipulados.
Tratamento deve ser individualizado
A resposta às canetas varia conforme o organismo, a condição clínica, o medicamento utilizado e a adesão às orientações. Comparar doses ou resultados com outras pessoas pode levar a decisões inadequadas.
O tratamento deve ser planejado individualmente e acompanhado durante todas as etapas. A interrupção, a troca do medicamento ou qualquer ajuste na aplicação precisa ser discutido com o profissional responsável.
Fontes
MSN, Saúde em Dia, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e FDA.