Um caranguejo-nadador foi encontrado vivo dentro de uma garrafa plástica que estava à deriva no oceano havia cerca de dois meses. O caso foi registrado por pesquisadores da Universidade de Hiroshima, no Japão, e chama atenção para os impactos da poluição por plástico na vida marinha.
O animal foi localizado durante uma pesquisa sobre peixes juvenis nas águas próximas à Ilha Sesoko, em Okinawa. A equipe recolheu uma garrafa plástica que flutuava a aproximadamente 500 metros da costa e encontrou, dentro dela, uma fêmea da espécie Portunus sanguinolentus, conhecida como caranguejo-nadador.
Segundo os pesquisadores, o caranguejo estava vivo, mas não conseguia sair do recipiente. A abertura da garrafa tinha apenas 24 milímetros de diâmetro, enquanto o animal já media mais de 88 milímetros de largura. Por isso, a principal hipótese é que ele tenha entrado no objeto ainda jovem, quando era pequeno o suficiente para passar pelo gargalo.
Com o tempo, o caranguejo cresceu dentro da garrafa e acabou ficando preso. Como o recipiente estava aberto e permitia a circulação de água, o animal conseguiu obter oxigênio e algum alimento, mas permaneceu impedido de escapar.
A análise feita pelos cientistas mostrou que o caranguejo se alimentou de pequenos peixes e algas que se desenvolveram dentro da própria garrafa. Esse detalhe ajudou a explicar como ele conseguiu sobreviver por tanto tempo em uma situação considerada incomum.
Para estimar o período em que o plástico ficou boiando no mar, os pesquisadores analisaram cracas presas ao lado externo da garrafa. Com base no crescimento desses organismos, a equipe calculou que o recipiente permaneceu à deriva por cerca de 62 dias.
O estudo foi publicado na revista científica Ecosphere e, segundo os autores, representa o primeiro registro documentado de um caranguejo vivendo por tanto tempo preso em uma garrafa plástica no oceano.
O caso reforça um problema já conhecido por ambientalistas e cientistas: resíduos plásticos descartados no mar podem afetar animais de diversas formas. Além da ingestão de fragmentos e do risco de enrosco em materiais maiores, objetos como garrafas podem funcionar como verdadeiras armadilhas.
Embora o caranguejo tenha sobrevivido, os pesquisadores apontam que o confinamento pode ter comprometido suas habilidades naturais e sua capacidade de retornar ao ambiente marinho de forma adequada.
Para a equipe, situações semelhantes podem estar acontecendo sem serem percebidas em outras regiões do mundo. O registro amplia o alerta sobre a necessidade de reduzir o descarte de plástico nos oceanos e melhorar o controle sobre resíduos que chegam ao ambiente marinho.