SAÚDE

Casos de câncer podem quase dobrar até 2050, alerta OMS

Relatório da Organização Mundial da Saúde aponta que a doença deve atingir quase 35 milhões de novos casos por ano até 2050 e afetar direta ou indiretamente a maioria da população mundial.

Por · · Atualizado: 13/08/2026 14:24
OMS alerta que casos de câncer podem chegar a quase 35 milhões por ano até 2050.

Os casos de câncer devem crescer de forma expressiva nas próximas décadas, segundo alerta da Organização Mundial da Saúde. A projeção indica que o mundo pode registrar quase 35 milhões de novos diagnósticos por ano até 2050, diante do envelhecimento da população, aumento da expectativa de vida e maior exposição a fatores de risco.

Atualmente, a estimativa é de 20,6 milhões de novos casos de câncer por ano no mundo, além de quase 10 milhões de mortes anuais relacionadas à doença. De acordo com a OMS, uma em cada cinco pessoas deve desenvolver algum tipo de câncer ao longo da vida.

O relatório também chama atenção para o impacto social da doença. A entidade estima que 92% das pessoas serão afetadas pelo câncer de alguma forma, seja por diagnóstico próprio, pelo adoecimento de um familiar próximo ou pelo papel de cuidador.

Apesar dos avanços científicos, a OMS aponta que o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e aos cuidados ainda é muito desigual entre países ricos e pobres. Em regiões de menor renda, muitos pacientes enfrentam dificuldade para conseguir medicamentos, radioterapia, exames e acompanhamento especializado.

A desigualdade também aparece nas taxas de sobrevivência. Em países mais ricos, pacientes com câncer de mama ou câncer infantil têm chances muito maiores de sobreviver por pelo menos cinco anos após o diagnóstico. Em países de baixa renda, esse índice pode cair drasticamente por causa da falta de estrutura e do diagnóstico tardio.

Outro ponto destacado pela organização é que uma parte importante dos casos poderia ser evitada. A OMS estima que até quatro em cada dez novos casos de câncer estejam ligados a fatores de risco conhecidos e modificáveis, como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, sedentarismo, poluição do ar, exposição à radiação ultravioleta e infecções associadas ao câncer, como HPV e hepatite B.

Entre as medidas apontadas como essenciais estão o fortalecimento da prevenção, campanhas de vacinação, rastreamento precoce, combate ao tabaco, incentivo à alimentação saudável, prática de atividade física e ampliação do acesso ao tratamento.

Para especialistas, o alerta reforça que o câncer não deve ser tratado apenas como um desafio médico, mas também como uma questão de saúde pública. Sem investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e atendimento adequado, o aumento dos casos pode ampliar ainda mais as desigualdades entre países e sobrecarregar sistemas de saúde em todo o mundo.

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