A dor é uma experiência pessoal. Um mesmo problema pode causar um desconforto moderado em determinada pessoa e ser incapacitante para outra. Por isso, não existe um ranking médico definitivo capaz de determinar qual é a pior dor do mundo.
Ainda assim, algumas doenças e emergências são frequentemente associadas a episódios de dor extremamente intensa. Cefaleia em salvas, neuralgia do trigêmeo, cálculo renal, pancreatite e endometriose estão entre os exemplos.
Além da intensidade, os médicos observam onde a dor aparece, quanto tempo dura, se começou repentinamente e quais outros sintomas estão presentes. Esses detalhes ajudam a diferenciar um problema passageiro de uma situação que exige atendimento urgente.
1. Cefaleia em salvas
A cefaleia em salvas provoca crises muito intensas, normalmente concentradas em apenas um lado da cabeça e ao redor de um dos olhos. A sensação pode ser descrita como perfurante, cortante ou semelhante a uma forte queimação.
Durante uma crise, o olho pode ficar vermelho e lacrimejar, enquanto o nariz pode apresentar congestão ou coriza do mesmo lado. Os episódios podem acontecer várias vezes por dia e durar de minutos a algumas horas.
2. Neuralgia do trigêmeo
A neuralgia do trigêmeo é uma condição neurológica que causa ataques repentinos de dor no rosto. Muitos pacientes descrevem a sensação como um choque elétrico na mandíbula, nos dentes, na gengiva ou na região das bochechas.
As crises costumam durar de poucos segundos a cerca de dois minutos e podem ser desencadeadas por atividades simples, como falar, mastigar, escovar os dentes, lavar o rosto ou sentir uma corrente de ar.
3. Pedra nos rins
O cálculo renal pode permanecer sem sintomas enquanto está parado no rim. O problema geralmente começa quando a pedra se movimenta e entra no ureter, canal responsável por levar a urina até a bexiga.
A chamada cólica renal provoca dor intensa nas costas ou na lateral do abdômen, podendo se espalhar para a virilha e os órgãos genitais. A dor frequentemente aparece em ondas, com períodos de piora e alívio.
Sangue na urina, náuseas, vômitos, febre e dificuldade para urinar podem acompanhar o quadro. Febre associada à suspeita de cálculo renal requer avaliação rápida devido ao risco de infecção.
4. Pancreatite aguda
A pancreatite aguda é uma inflamação repentina do pâncreas e pode causar dor forte na parte superior do abdômen. Em alguns casos, o desconforto se espalha para as costas e piora depois de comer ou ao se deitar.
Náuseas, vômitos, febre, barriga inchada e aceleração dos batimentos cardíacos também podem aparecer. Trata-se de uma condição potencialmente grave, que normalmente precisa ser avaliada e tratada no hospital.
5. Síndrome de dor regional complexa
A síndrome de dor regional complexa pode surgir depois de uma lesão, fratura, cirurgia ou outro trauma. Ela costuma afetar um braço, uma perna, uma mão ou um pé.
A dor pode ser persistente, desproporcional à lesão original e acompanhada de queimação, inchaço, alterações na temperatura e na cor da pele, rigidez e extrema sensibilidade ao toque.
Em alguns pacientes, até o contato da roupa ou uma leve mudança de temperatura pode provocar sofrimento significativo. A condição envolve alterações no funcionamento dos nervos e no processamento da dor.
6. Herpes-zóster e neuralgia pós-herpética
O herpes-zóster, popularmente conhecido como cobreiro, é causado pela reativação do vírus da catapora. Antes ou durante o surgimento das bolhas, a pessoa pode sentir ardência, pontadas, coceira e dor intensa em determinada região do corpo.
Mesmo depois que as lesões desaparecem, algumas pessoas continuam sentindo dor no local. Essa complicação é chamada de neuralgia pós-herpética.
A pele pode ficar tão sensível que um toque leve, a pressão da roupa ou mudanças de temperatura provocam dor. Em determinados casos, o problema pode persistir durante meses.
7. Endometriose
A endometriose acontece quando células semelhantes às do revestimento interno do útero crescem em outras regiões do corpo, principalmente na pelve.
A doença pode causar cólicas menstruais intensas, dor pélvica, desconforto durante ou depois das relações sexuais, dor ao evacuar e sintomas urinários. Em casos mais graves, a dor impede a realização de atividades rotineiras, como trabalhar, estudar ou dormir.
Cólicas que incapacitam a mulher ou que não melhoram com as medidas habituais não devem ser consideradas normais e precisam ser investigadas.
8. Crise de gota
A gota é uma forma de artrite provocada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações. As crises podem começar subitamente, muitas vezes durante a madrugada.
A articulação afetada fica extremamente dolorida, quente, inchada e avermelhada. O dedão do pé é um dos locais mais atingidos, mas tornozelos, joelhos, mãos e punhos também podem apresentar o problema.
Durante uma crise intensa, até o peso de um lençol sobre a articulação pode causar grande desconforto.
9. Crise de doença falciforme
A doença falciforme altera o formato das células vermelhas do sangue. Em uma crise vaso-oclusiva, essas células podem bloquear a passagem do sangue e reduzir a chegada de oxigênio aos tecidos.
O quadro pode causar dor súbita e intensa nos ossos, articulações, peito, abdômen ou outras regiões do corpo. Algumas crises precisam ser tratadas em clínicas especializadas ou hospitais.
10. Apendicite
A apendicite é uma inflamação do apêndice e geralmente começa com uma dor próxima ao umbigo. Com o passar das horas, o desconforto pode migrar para o lado inferior direito do abdômen e se tornar progressivamente mais intenso.
A pessoa também pode apresentar perda de apetite, náuseas, vômitos, febre e sensibilidade ao tocar a barriga. Sem tratamento, o apêndice pode se romper e espalhar a infecção pelo abdômen.
Quando uma dor intensa exige atendimento médico?
Uma dor muito forte, principalmente quando começa repentinamente ou piora rapidamente, não deve ser ignorada. É importante buscar atendimento de urgência quando o sintoma estiver acompanhado de:
- dificuldade para respirar;
- desmaio, confusão ou perda de força;
- pressão ou dor no peito;
- febre alta e calafrios;
- rigidez no pescoço;
- vômitos persistentes;
- sangue na urina, nas fezes ou no vômito;
- perda de movimento ou sensibilidade;
- dor abdominal intensa e contínua;
- dor de cabeça súbita e diferente das anteriores.
Medicamentos não devem ser utilizados em excesso ou combinados sem orientação. Além de mascarar sintomas importantes, a automedicação pode provocar efeitos adversos e atrasar o diagnóstico.
Fonte: MSN/Stars Insider, com informações médicas do NHS, Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame dos Estados Unidos, CDC e Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue.
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