show do intervalo da Copa

Show do intervalo da Copa reúne Madonna, BTS e Shakira, mas excesso de atrações divide crítica

Primeira apresentação musical realizada no intervalo de uma final da Copa do Mundo teve grandes estrelas, referências ao futebol e mensagem de união, porém sofreu com pouco tempo e falta de conexão entre os números

· Atualizado: 25/07/2026 14:40
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A primeira edição do show do intervalo de uma final da Copa do Mundo entrou para a história neste domingo, 19 de julho. Madonna, BTS, Justin Bieber, Shakira, Burna Boy e outros artistas participaram da apresentação realizada no New York New Jersey Stadium, durante a decisão do Mundial de 2026.

O espetáculo teve aproximadamente 11 minutos e tentou reunir diferentes estilos musicais, nacionalidades e gerações em uma única apresentação. A proposta era transmitir uma mensagem de amor e união para o público mundial, mas o grande número de atrações fez com que muitas participações fossem rápidas e pouco desenvolvidas.

Em análise publicada pelo The New York Times, a crítica musical Lindsay Zoladz avaliou que os artistas fizeram um esforço para justificar a criação do evento. Segundo a publicação, a apresentação foi cuidadosamente coreografada, mas apresentou uma combinação temática confusa, reunindo muitas estrelas sem conseguir construir um propósito artístico mais claro.

Madonna abriu o show com Ronaldo e Ronaldinho

Madonna foi responsável pela abertura da apresentação. A cantora surgiu ao lado dos ex-jogadores brasileiros Ronaldo e Ronaldinho e interpretou parte de “Music”, um dos principais sucessos de sua carreira.

A participação dos campeões mundiais aproximou o espetáculo do futebol e colocou o Brasil em evidência logo nos primeiros minutos. No entanto, a apresentação da cantora foi curta para que o restante do elenco pudesse entrar em cena.

Na sequência, personagens dos Muppets participaram de uma versão instrumental de “Seven Nation Army”, música do The White Stripes que se tornou um dos cânticos mais conhecidos dos estádios.

O número teve a participação do maestro venezuelano Gustavo Dudamel e de músicos ligados à Filarmônica de Nova York e à Orquestra Sinfônica Simón Bolívar.

BTS apresentou “Dynamite”

Os sete integrantes do BTS subiram ao palco para apresentar “Dynamite”. O grupo sul-coreano levou uma coreografia sincronizada ao gramado e representou a força internacional do K-pop.

Embora tenha sido um dos momentos de maior energia, a participação também precisou ser reduzida por causa do tempo limitado. O formato dividiu os 11 minutos entre diversas atrações, deixando pouco espaço para que cada artista desenvolvesse uma apresentação completa.

A sequência ainda contou com uma aparição de Jason Sudeikis caracterizado como Ted Lasso, personagem da série sobre um treinador norte-americano que assume o comando de um time de futebol inglês.

Justin Bieber mudou o ritmo da apresentação

Justin Bieber apresentou “Everything Hallelujah” acompanhado por um violão. A música trouxe um tom mais lento e emocional, criando uma mudança brusca em relação às coreografias e aos números mais agitados exibidos anteriormente.

O cantor adaptou parte da letra para mencionar a Copa do Mundo. A escolha, entretanto, foi considerada pouco adequada por alguns críticos, que esperavam uma apresentação mais vibrante durante a final.

Shakira e Burna Boy retomaram o clima de festa com “Dai Dai”. A dupla foi acompanhada por jovens dançarinos e reforçou a presença de diferentes culturas na programação.

Shakira possui uma relação histórica com a Copa do Mundo. A cantora colombiana foi responsável por “Waka Waka”, música oficial do Mundial de 2010, realizado na África do Sul.

Encerramento destacou amor e união

O encerramento reuniu Chris Martin, vocalista do Coldplay, integrantes do coral infantil PS22, Gustavo Dudamel e personagens da Vila Sésamo e dos Muppets.

No gramado, os participantes formaram a palavra “Love”, que significa “amor” em inglês. A cena reforçou a principal mensagem do evento: utilizar a música e o futebol para promover união entre pessoas de diferentes países.

Apesar da proposta positiva, a avaliação do The New York Times apontou que o espetáculo apresentou muitas ideias em um período reduzido. A quantidade de estrelas chamou atenção, mas tornou a apresentação fragmentada e dificultou a criação de uma identidade própria.

Outras análises internacionais também destacaram o ritmo acelerado e o excesso de atrações. A revista Time avaliou que a tentativa de representar diferentes partes do mundo acabou produzindo um show genérico, no qual poucos momentos conseguiram se destacar individualmente.

Primeiro show do intervalo da história da Copa

A apresentação marcou uma mudança significativa na programação das finais da Copa do Mundo. Até 2026, as grandes atrações musicais eram concentradas nas cerimônias de abertura e encerramento, sem um espetáculo realizado entre os dois tempos da decisão.

A Fifa confirmou que o show foi organizado em parceria com a Global Citizen e teve curadoria de Chris Martin. A iniciativa também esteve ligada ao FIFA Global Citizen Education Fund, projeto voltado à ampliação do acesso de crianças à educação e ao futebol.

A estreia mostrou que a entidade pretende transformar a final em um evento de entretenimento ainda maior, aproximando o Mundial do modelo adotado pelo Super Bowl nos Estados Unidos.

O resultado, entretanto, dividiu opiniões. Enquanto parte do público valorizou a presença de artistas mundialmente conhecidos, críticos consideraram que o excesso de convidados impediu que o primeiro show do intervalo da Copa encontrasse uma identidade própria.

Fonte: The New York Times

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