Remédios presentes em muitas casas podem causar danos graves quando são usados na dose errada, combinados sem orientação ou mantidos por mais tempo do que o recomendado. Isso não significa que sejam ruins ou que devam ser abandonados. O risco depende do princípio ativo, da dose, das condições de saúde do paciente e das interações com outros produtos.
Uma lista compartilhada na internet chama alguns deles de "os mais perigosos do mundo", mas esse tipo de ranking pode confundir. Medicamentos essenciais, como insulina e anticoagulantes, salvam vidas quando usados corretamente. O alerta responsável é outro: mesmo produtos vendidos sem receita não são livres de efeitos adversos.
Ninguém deve interromper, reduzir ou aumentar um tratamento prescrito por causa desta matéria. Dúvidas devem ser levadas ao médico ou ao farmacêutico. Em caso de suspeita de intoxicação, a orientação oficial é procurar atendimento e ligar para o Samu, no 192, ou para o Disque-Intoxicação, no 0800-722-6001.
1. Paracetamol pode aparecer em mais de um produto
O paracetamol é usado contra dor e febre, mas pode causar lesão grave no fígado quando ingerido acima da dose indicada. Um dos problemas é a duplicidade: a pessoa toma um analgésico e, sem perceber, usa também um antigripal ou outro medicamento que contém o mesmo princípio ativo.
A Anvisa alerta que o uso prolongado ou acima da dose recomendada pode provocar hepatite medicamentosa e até morte. A quantidade adequada varia conforme o produto, a idade, o peso e as condições do paciente. Por isso, é necessário conferir o princípio ativo na embalagem e na bula e não combinar produtos sem orientação. Pessoas com doença no fígado ou que consomem álcool precisam de cuidado adicional.
2. Anti-inflamatórios podem causar sangramento e outros danos
Ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno fazem parte dos anti-inflamatórios não esteroides. Eles podem aliviar dor e inflamação, mas o uso inadequado aumenta o risco de sangramento no estômago ou no intestino, lesão nos rins e eventos cardiovasculares.
O perigo é maior entre idosos e pessoas com histórico de úlcera, doença renal, pressão alta, insuficiência cardíaca ou uso de anticoagulantes. Tomar dois anti-inflamatórios ao mesmo tempo não melhora necessariamente o efeito e pode ampliar os danos. Aspirina usada para prevenção cardiovascular também não deve ser iniciada ou suspensa sem avaliação profissional.
3. Calmantes não devem ser misturados nem retirados de repente
Medicamentos benzodiazepínicos, como clonazepam, diazepam e alprazolam, podem causar sonolência, perda de coordenação, quedas, tolerância e dependência. A combinação com álcool, opioides ou outros produtos que deprimem o sistema nervoso central pode reduzir perigosamente a respiração.
A retirada brusca após uso continuado também pode provocar abstinência grave, incluindo convulsões. Quem usa esses medicamentos deve conversar com o prescritor antes de qualquer mudança. Quando a suspensão é indicada, a redução costuma precisar de planejamento individual.
4. Opioides exigem atenção à respiração
Codeína, tramadol, morfina e oxicodona são exemplos de opioides usados para tratar determinados tipos de dor. Eles podem causar sedação intensa, dependência e depressão respiratória, especialmente quando a dose é maior do que a prescrita ou quando há combinação com benzodiazepínicos, álcool e outros sedativos.
Respiração lenta ou difícil, lábios arroxeados, pupilas muito contraídas e dificuldade para acordar a pessoa são sinais de emergência. Os medicamentos devem ser guardados em local seguro, longe de crianças e de qualquer pessoa para quem não foram prescritos. Também não se deve compartilhar comprimidos nem antecipar doses.
5. Anticoagulantes podem provocar hemorragias
Anticoagulantes, como a varfarina e medicamentos mais novos da mesma finalidade, reduzem o risco de coágulos, embolia e acidente vascular cerebral em pacientes selecionados. Ao mesmo tempo, podem provocar sangramentos graves e interagir com outros remédios, suplementos e, no caso da varfarina, alterações importantes na alimentação.
Sangramento que não para, urina avermelhada, fezes pretas, vômito com sangue, dor de cabeça súbita e intensa ou uma queda com impacto na cabeça exigem avaliação rápida. Interromper o anticoagulante por conta própria também pode ser perigoso, porque o risco de formação de coágulos pode voltar.
6. Erro com metotrexato pode ser fatal
O metotrexato é usado em alguns cânceres e também em doenças autoimunes, como artrite reumatoide e psoríase. Nos tratamentos de certas doenças inflamatórias, é comum que a dose oral seja tomada apenas uma vez por semana. Confundir o esquema semanal com uso diário pode causar intoxicação grave e já foi associado a mortes.
Os esquemas oncológicos são diferentes e definidos pela equipe especializada. O paciente deve conferir o dia e a quantidade prescritos, manter as instruções por escrito e procurar o serviço de saúde se houver dúvida ou se uma dose incorreta for tomada. Feridas na boca, febre, sangramento, fraqueza intensa e vômitos persistentes após o uso precisam de avaliação.
7. Insulina em excesso pode derrubar a glicose
A insulina é indispensável para pessoas com diabetes tipo 1 e para parte dos pacientes com outros tipos da doença. O risco aparece quando há erro de dose, troca de apresentação, atraso de refeição ou mudança na rotina sem o ajuste orientado pela equipe de saúde.
A hipoglicemia pode causar suor frio, tremor, palpitação, fome, irritabilidade, confusão, desmaio e convulsões. Cada paciente deve seguir o plano recebido para reconhecer e corrigir uma queda de glicose. Se a pessoa estiver inconsciente, convulsionando ou não conseguir engolir com segurança, é necessário acionar imediatamente o atendimento de emergência.
Quais sinais exigem ajuda imediata?
Dificuldade para respirar, sonolência extrema, desmaio, convulsão, confusão intensa, sangramento importante, reação alérgica com inchaço no rosto ou na garganta e suspeita de dose excessiva são situações de urgência. A embalagem, a bula e a lista do que foi tomado devem acompanhar o paciente, quando isso puder ser feito com segurança.
Para reduzir riscos, a recomendação é manter os medicamentos na embalagem original, verificar o princípio ativo antes de combinar produtos, usar o medidor correto em líquidos, respeitar horários e não compartilhar tratamentos. Uma lista atualizada de remédios, vitaminas e suplementos ajuda o médico e o farmacêutico a identificar possíveis interações.
Fontes: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo os Boletins de Farmacovigilância 8 e 9; Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Renaciat); Ministério da Saúde; U.S. Food and Drug Administration (FDA).
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