Menina de 3 anos vence tumor raro no rosto após quimioterapia e cirurgia de 13 horas

Maria Eduarda recebeu diagnóstico de tumor raro no rosto ainda bebê; após internação em UTI, 79 sessões de quimioterapia e cirurgia, exames não mostram sinais da doença.

· Atualizado: 21/07/2026 19:29
Maria Eduarda venceu tumor raro no rosto após longo tratamento — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Maria Eduarda da Silva Costa, de 3 anos, venceu um tumor raro no rosto após uma longa jornada de tratamento. A menina tinha cerca de 6 meses quando a mãe, Camila Costa, percebeu um aumento incomum no lado esquerdo da face da filha.

No início, a família chegou a ouvir que a alteração poderia estar relacionada à fase de dentição. Com o passar dos dias, porém, o inchaço aumentou e o olho esquerdo da bebê começou a apresentar alteração. A mãe insistiu na investigação médica até chegar ao Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Após exames e biópsias realizados no fim de novembro de 2023, o diagnóstico confirmou um tumor raro na região da boca e da face. Segundo a equipe médica, Maria Eduarda tinha um tumor mesenquimal classificado como tumor miofibroblástico inflamatório, conhecido pela sigla TMI, localizado na região mandibular esquerda.

Embora esse tipo de tumor seja considerado de baixo grau, ele pode oferecer risco dependendo da localização e da velocidade de crescimento. No caso de Maria Eduarda, a massa cresceu rapidamente, chegou a quase 11 centímetros e passou a comprometer funções importantes.

Com a evolução da doença, a bebê teve dificuldades para respirar e se alimentar. Ainda na primeira semana de internação, precisou passar por traqueostomia, para auxiliar a respiração, e gastrostomia, para receber alimentação.

O tratamento foi realizado no Itaci, Instituto de Tratamento do Câncer Infantil ligado ao Icesp. Ao todo, Maria Eduarda ficou quase 90 dias internada em UTI e passou por 79 sessões de quimioterapia.

Além da quimioterapia endovenosa semanal, a criança recebeu um imunossupressor específico. O tratamento reduziu progressivamente o tumor ao longo de cerca de 10 meses.

Durante todo o processo, Maria Eduarda foi acompanhada por uma equipe multidisciplinar, incluindo fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, odontologia e outras especialidades.

Para a mãe, um dos momentos mais marcantes foi perceber que a quimioterapia começava a fazer efeito. Mesmo com uma redução inicial pequena, a diminuição do tumor trouxe esperança à família.

Em outubro de 2025, Maria Eduarda passou por uma cirurgia de grande porte que durou 13 horas. O procedimento retirou 100% do tumor e também exigiu reconstrução de parte da bochecha com músculo retirado da perna.

Após a operação, a menina precisou permanecer sedada para que a equipe médica acompanhasse a recuperação e a integração do enxerto. Os exames mais recentes não mostram sinais da doença.

Em 22 de maio de 2026, Maria Eduarda voltou ao hospital para tocar o sino, gesto simbólico que marca o fim do tratamento oncológico. Hoje, ela retomou a rotina de criança e frequenta a creche sem restrições.

Apesar da cura, o acompanhamento médico continua. A menina ainda tem cicatrizes das cirurgias, assimetria no rosto, alteração na mordida e ausência de dentes do lado esquerdo. A gastrostomia está em processo de retirada, e o Port-a-Cath, dispositivo usado no tratamento, deve ser removido futuramente.

Especialistas orientam que pais e responsáveis procurem avaliação médica quando notarem aumento persistente de volume no rosto, boca ou pescoço de crianças, principalmente se houver crescimento rápido.

Sinais como dificuldade para mamar, se alimentar, engolir ou respirar, além de assimetria facial, dor, sangramento na boca ou alterações que não desaparecem em poucos dias, também devem ser investigados.

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